O Brasil tem se consolidado como um dos países que mais se destaca no mundo quando o assunto é garantir alimentação de qualidade para estudantes nas escolas públicas, sendo reconhecido por especialistas e organizações internacionais pela abrangência e eficácia de suas políticas de alimentação escolar. Um dos pilares dessa trajetória é o Programa Nacional de Alimentação Escolar, que atende milhões de estudantes diariamente e busca integrar cultura alimentar regional, nutrição equilibrada e inclusão social em um só projeto.
Esse programa nacional de alimentação escolar não surgiu por acaso, mas foi estruturado ao longo de décadas, ganhando um marco legal expressivo em 2009 com uma legislação que reorganizou a forma como as refeições são pensadas e preparadas para os alunos. A legislação foi fundamental para transformar o serviço tradicional de merenda em uma política pública com foco nutricional, pedagógico e cultural, fortalecendo o papel da alimentação no ambiente escolar.
Um dos fatores que destaca essa política é a obrigatoriedade de participação de nutricionistas na definição dos cardápios, o que garante refeições balanceadas, adaptadas às necessidades alimentares dos estudantes e que respeitam a diversidade cultural das diferentes regiões do país. Essa abordagem amplia a qualidade nutricional das refeições e contribui para a promoção de hábitos alimentares saudáveis desde a infância.
Outro aspecto estratégico da política é a valorização da agricultura familiar. A lei determina que uma parte significativa dos alimentos deve ser adquirida diretamente de pequenos produtores rurais, o que impulsiona a economia local e fortalece a cadeia de produção de alimentos frescos e regionais. Essa relação entre campo e escola não só beneficia a saúde dos estudantes, mas também gera impacto positivo na renda das comunidades agrícolas.
O alcance do programa é impressionante. Ele atende dezenas de milhões de estudantes em todo o país, desde a educação infantil até a educação de jovens e adultos, garantindo que muitas crianças recebam, na escola, uma das principais refeições do dia. Esse aspecto tem papel estratégico no combate à insegurança alimentar, especialmente em regiões mais vulneráveis, onde a alimentação escolar muitas vezes representa mais do que um complemento nutricional.
Embora haja reconhecimento internacional e impactos positivos evidentes, a implementação cotidiana dessa política enfrenta desafios. O orçamento disponível, as diferenças regionais na complementação de recursos pelos entes federativos e a infraestrutura para preparo das refeições ainda são obstáculos a serem superados. Em muitas localidades, a falta de profissionais qualificados e de espaços adequados para cozinhar e armazenar alimentos limita a oferta de refeições ideais.
Além disso, aspectos culturais e resistências locais podem dificultar a adaptação de cardápios mais saudáveis ou a aceitação de novos alimentos por parte de estudantes e famílias. A educação alimentar e nutricional nas escolas torna-se, portanto, tão importante quanto a própria oferta das refeições, pois contribui para a formação de hábitos sustentáveis e conscientes ao longo do tempo.
Por fim, experiências internacionais, como a participação do Brasil em cúpulas e coalizões globais dedicadas à alimentação escolar, mostram que as práticas brasileiras influenciam outras nações e contribuem para a construção de políticas públicas de impacto mundial. Essa troca de conhecimento reforça a importância de continuar investindo e aprimorando as estratégias que tornaram o Brasil uma referência quando o tema é alimentação de crianças e jovens nas escolas.
Autor : Yuliya Sokolova

