Paulo Roberto Gomes Fernandes observa que, ao longo da última década, poucos eventos conseguiram reunir tantos agentes estratégicos do setor energético quanto a conferência e exposição internacional realizada em Barcelona em 2018, dedicada às indústrias globais de gás, GNL e energia. Em janeiro de 2026, ao analisar aquele encontro, percebe-se como a cidade catalã se transformou, naquele momento, em um verdadeiro centro mundial de oportunidades, negócios e discussões técnicas voltadas à cadeia global do gás natural.
Com mais de quatro décadas de tradição, o evento consolidou-se como um dos principais pontos de convergência para empresas integradas de energia, concessionárias globais, construtoras, empresas de dutos, fabricantes de equipamentos e provedores de tecnologia. Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que a característica itinerante da conferência contribuiu para ampliar sua relevância internacional, ao permitir que diferentes regiões do mundo assumissem, a cada edição, o protagonismo nos debates energéticos globais.
A centralidade do gás e do GNL na transição energética
De acordo com avaliações recorrentes do setor, a edição realizada em Barcelona reforçou o papel estratégico do gás natural e do GNL na matriz energética mundial. Em um cenário de transição, esses insumos passaram a ser vistos como vetores fundamentais para garantir segurança energética, flexibilidade de abastecimento e redução gradual de emissões em comparação a fontes mais intensivas em carbono. Paulo Roberto Gomes Fernandes pontua que essa leitura ajudou a posicionar o gás como elemento-chave nos planos energéticos de médio e longo prazo de diversos países.
Nesse contexto, a conferência reuniu projetos, tecnologias e modelos de negócio voltados tanto à expansão da infraestrutura de transporte quanto à otimização de sistemas já existentes. A diversidade de expositores e palestrantes evidenciou a complexidade da cadeia do gás, que envolve desde produção e liquefação até transporte, armazenamento e distribuição em escala global.
Europa como polo estratégico e disputas geopolíticas
Outro ponto central dos debates foi o papel da Europa como mercado estratégico para o gás natural. Conforme amplamente discutido à época, havia um movimento consistente de diversificação de fornecedores, com destaque para projetos norte-americanos de produção e exportação de GNL voltados ao continente europeu. Paulo Roberto Gomes Fernandes comenta que essa dinâmica estava diretamente ligada a questões geopolíticas e à busca por maior segurança no abastecimento energético.

A presença maciça de projetos internacionais no evento reforçou essa leitura. Países africanos, produtores emergentes e grandes players tradicionais dividiram espaço em busca de parcerias, contratos e acordos comerciais. Esse ambiente favoreceu o diálogo multilateral e ampliou as possibilidades de integração entre diferentes regiões produtoras e consumidoras de gás.
Tecnologia, infraestrutura e soluções para dutos
No campo técnico, a exposição destacou soluções voltadas à construção e operação de oleodutos e gasodutos, com ênfase em eficiência, segurança e adaptação a ambientes complexos. Paulo Roberto Gomes Fernandes percebe que tecnologias aplicadas à suportação de tubos, ao lançamento de dutos e ao uso de materiais avançados ganharam relevância diante da necessidade de reduzir custos operacionais e mitigar riscos em projetos de grande escala.
A presença brasileira no evento, ainda que concentrada, chamou atenção por apresentar soluções especializadas em nichos específicos da engenharia dutoviária. Esse tipo de participação reforçou a capacidade de empresas nacionais competirem em mercados altamente exigentes, sobretudo quando associam inovação tecnológica a conhecimento técnico acumulado.
Conhecimento, liderança e formação de talentos
Além da área expositiva, a programação da conferência reuniu centenas de palestrantes, entre executivos, especialistas e formuladores de políticas públicas. Conforme analisado por observadores do setor, os fóruns paralelos abordaram temas como comércio internacional de GNL, desenvolvimento de mercados regionais, diversidade no setor energético e formação de novas lideranças. Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que esses espaços ampliaram o alcance do evento, indo além dos negócios imediatos.
Iniciativas voltadas a jovens profissionais e estudantes também ocuparam espaço relevante, sinalizando a preocupação do setor com a renovação de talentos e a sustentabilidade do conhecimento técnico. Por fim, observa-se que a edição de Barcelona consolidou a conferência como um ambiente estratégico não apenas para fechar negócios, mas para antecipar tendências e alinhar visões sobre o futuro do mercado global de gás, lições que permanecem atuais em 2026.
Autor: Yuliya Sokolova

