Prêmio Melhores da Gastronomia e ranking dos 100 melhores restaurantes do país mostram pratos que unem técnica internacional a ingredientes genuinamente brasileiros.
A alta gastronomia brasileira viveu, nas últimas semanas, dois momentos que ajudam a entender para onde caminham os pratos servidos nos melhores restaurantes do país. Primeiro veio a cerimônia do Prêmio Melhores da Gastronomia 2026, realizada em São Paulo, que consagrou nomes que vêm transformando ingredientes nacionais em experiências autorais. Em seguida, a revista Exame divulgou o ranking dos 100 melhores restaurantes do Brasil, reunindo casas que colocam produtos como pitu amazônico, tucupi e queijos artesanais lado a lado com técnicas de cozinhas internacionais. O resultado desses dois levantamentos mostra uma gastronomia brasileira cada vez mais confiante em usar sua própria despensa como ponto de partida para pratos de alto nível, sem abrir mão de criatividade e sofisticação.
Tássia Magalhães e o Tuju lideram o Prêmio Melhores da Gastronomia
Na premiação realizada em junho, a chef Tássia Magalhães foi eleita Chef do Ano à frente do Nelita, restaurante paulistano conhecido por uma cozinha autoral marcada pela sensibilidade e pela valorização de ingredientes brasileiros. O reconhecimento consolida a chef como uma das principais referências da nova geração da gastronomia nacional, num momento em que cresce o número de cozinheiros dispostos a explorar produtos regionais pouco convencionais nos cardápios das grandes cidades.
Outro destaque da noite foi o restaurante Tuju, comandado pelo chef Ivan Ralston, que recebeu o prêmio de Restaurante do Ano graças a uma proposta contemporânea baseada em pesquisa minuciosa de ingredientes e técnicas. Já na categoria Menu Degustação do Ano, o vencedor foi o Evvai, do chef Luiz Filipe Souza, premiado por uma experiência que une identidade brasileira à herança da cozinha italiana. A premiação também reconheceu produtores, como a Fazenda Atalaia, referência na produção artesanal de queijos, mostrando que o protagonismo da gastronomia nacional vai muito além do salão dos restaurantes e passa também pelo campo.
Pratos autorais mostram o Brasil em cada ingrediente
O ranking dos 100 melhores restaurantes do país, divulgado pela Exame, reforça essa mesma tendência de valorização do que é local. Em um restaurante paulistano premiado com Estrela Verde Michelin, o menu degustação batizado de “Tempo dos Sabores” traz receitas com toques brasileiros, como um nhoque de batata servido com ricota, araruta e coalhada artesanal, além de alho poró tostado na manteiga acompanhado de creme de castanha de caju e molho de coco.
Em outra casa reconhecida pelo ranking, a cozinha mexicana contemporânea ganha ingredientes amazônicos e pantaneiros, com destaque para o pitu, camarão de água doce típico da região Norte, servido ao lado de preparos tradicionais da culinária do Golfo do México. Já em um restaurante instalado em um sobrado histórico na Lapa, no Rio de Janeiro, o cardápio muda com frequência para acompanhar o frescor de ingredientes vindos diretamente de produtores locais, unindo sazonalidade e valorização da cadeia produtiva regional.
Esses dois levantamentos, somados, mostram que a alta gastronomia brasileira encontrou um caminho próprio: em vez de simplesmente importar tendências internacionais, os chefs premiados em 2026 preferem partir de ingredientes como tucupi, pitu, queijos artesanais e castanhas nacionais para construir pratos que dialogam com o resto do mundo sem perder a raiz brasileira. Para quem gosta de acompanhar o setor, esse é um bom momento para explorar novos endereços e descobrir, prato a prato, como a cozinha do país segue se reinventando sem deixar de lado sua própria identidade.

